Referendar a abstenção

Muita gente também o é, mas muita dessa gente é-o por moda... Passo a explicar.
Como é normal critica-se o trabalho do Governo, quer esse Governo seja bom ou mau, quer as medidas implementadas sejam boas ou não...O Governo de Sócrates não é excepção. Agora critica-se e critica-se que o Gov Socialista não quer referendo, Cavaco pouco diz (normal) e Durão Barroso não tem nada a ver com isto (e acho bem).
Agora pensemos...qual foi a taxa de abstenção nos últimos referendos? Quais foram as taxas de abstenção nas eleições dos últimos 10 anos? Não estou a dizer que se deva deixar de ser democrata só porque a maior parte dos votantes não exercerem o seu Direito\ Dever, mas pensando no custo de um Referendo e nos resultados que vai ter...eu também estaria relutante em fazer se mandasse. Fá-lo-ia por uma questão de princípio, mas não o faria porque a população clamava por ele.
Claro está que os resultados a nível europeu desagradam aos Governantes, daí a falta de vontade...mas sinceramente, quantos vão votar?
Sou a favor da consulta popular, mas se a população não se faz consultar, então qual é o objectivo? Votem, opinem e as coisas começam a ter razão de ser. Não o façam...então não refilem com que quer que seja decidido pelos governantes, ou pelos que votam. O que a maioria das pessoas não sabe é que o referendo só é vinculativo se tiver uma adesão superior a 50%, ou seja, mesmo que 100% das pessoas que vão votar votarem contra, se só for 40% da população, o Gov continua (legalmente) legitimado a fazer o que entender. Há sempre a desculpa que está sol de mais, chuva de mais, nevoeiro de mais, ameno de mais, fim-de-semana perlongado, fim-de-semana curto, blá blá blá!
Balelas, votem...façam valer o esforço de quem conquistou esta (ou quaisquer outras) forma de consulta popular.
Há uma estranha influência, como que invisível, que sub-repticiamente vai transmitindo a sensação de que o mundo da política está algures muito distante do espaço e do tempo, inalcançável pela forma quotidiana da vida comum do cidadão comum. É certo que muitas manobras politicas visam perpetuar e aumentar este afastamento, aquilo a que se poderia chamar alienação.
Cabe a cada cidadão, individualmente e em grupo, conter o hiato que se alastra e reduzir ao máximo a discrepância entre o que os políticos dizem e fazem e o que acontece no nosso dia-a-dia e que todos podemos mudar.
Os referendos são oportunidades insubstituíveis para praticar essa vigilância, esse olho que tanto temem os politicos.
Não deixem de votar.